O aleitamento materno após o diagnóstico de doenças metabólicas na triagem neonatal.
O aleitamento materno é amplamente recomendado como a forma ideal de nutrição para recém-nascidos, promovendo benefícios imunológicos, neurológicos e afetivos. No entanto, quando a triagem neonatal (teste do pezinho) detecta um erro inato do metabolismo, o leite materno pode representar riscos à saúde do bebê, exigindo decisões clínicas imediatas e individualizadas.
Na galactosemia clássica, uma deficiência na enzima GALT impede o metabolismo da galactose, presente no leite materno. A ingestão pode levar a hepatopatia grave, sepse neonatal e óbito. Nesses casos, o aleitamento deve ser suspenso imediatamente, com introdução de fórmulas isentas de galactose.
Por outro lado, na fenilcetonúria (PKU), o recém-nascido possui deficiência na enzima fenilalanina hidroxilase, o que impede a conversão da fenilalanina (Phe) em tirosina. Embora o leite materno contenha Phe, ele pode ser mantido em quantidades controladas, desde que combinado com fórmulas isentas da substância, sob monitoramento clínico rigoroso.
Nesses contextos, a triagem neonatal não contraindica a amamentação de forma generalizada, ela permite a adaptação segura da dieta, com respaldo científico. O cuidado multiprofissional, especialmente com a presença do nutricionista e do pediatra metabolicista, é fundamental para garantir o crescimento adequado sem riscos metabólicos.
Portanto, o diagnóstico precoce via triagem neonatal é essencial não apenas para iniciar o tratamento, mas para preservar o vínculo da amamentação sempre que possível, dentro de uma abordagem segura, individualizada e centrada na criança.
Fontes:
Berry GT. Classic Galactosemia. GeneReviews®, 2020.
Van Spronsen FJ et al. Mol Genet Metab. 2021.