Os pais podem recusar o Teste do Pezinho?
Os pais podem recusar o Teste do Pezinho?
O Teste do Pezinho é uma das principais ferramentas de cuidado na saúde infantil e faz parte das maiores conquistas da saúde pública brasileira. Ainda assim, dúvidas sobre sua obrigatoriedade e sobre a possibilidade de recusa por parte das famílias são comuns — e precisam ser esclarecidas com responsabilidade.
O Teste do Pezinho é um direito da criança
Desde 2001, o Teste do Pezinho é previsto em lei como um direito da criança. Ele garante a identificação precoce de doenças graves, muitas delas raras, que podem não apresentar sintomas ao nascimento.
Quando realizado no tempo correto, o teste possibilita diagnóstico e tratamento precoce, reduzindo complicações, sequelas irreversíveis e, em alguns casos, risco de morte.
A recusa é possível? Tecnicamente, sim
Do ponto de vista técnico, os pais podem recusar a coleta do Teste do Pezinho. No entanto, essa recusa não é um ato simples ou neutro.
Ela deve ser:
- Informada
- Formalmente documentada
- Acompanhada de orientação médica clara sobre os riscos envolvidos
A decisão precisa ser consciente, baseada em informação de qualidade e diálogo com a equipe de saúde.
Os riscos de não realizar a triagem neonatal
Sem o Teste do Pezinho, doenças graves e tratáveis podem passar despercebidas. Muitas dessas condições evoluem de forma silenciosa nas primeiras semanas de vida, e os sintomas aparecem quando o dano já está instalado.
A ausência de triagem pode resultar em:
- Sequelas neurológicas irreversíveis
- Comprometimento do desenvolvimento
- Agravamento clínico evitável
- Risco à vida da criança
Por isso, a triagem neonatal existe como uma estratégia de proteção — não apenas como um exame de rotina.
A importância do diálogo e da escolha informada
O Teste do Pezinho é, acima de tudo, um instrumento de cuidado. Diante de dúvidas ou receios, o caminho mais seguro é conversar com a equipe de saúde, esclarecer informações e compreender o impacto de cada decisão.
Profissionais de saúde têm o papel de acolher, explicar e orientar. Famílias têm o direito de perguntar, entender e participar da decisão de forma segura e consciente.
O cuidado começa nos primeiros dias de vida, e cada etapa importa. Cada gotinha conta.
Fonte: Manual Técnico do Teste do Pezinho – Ministério da Saúde, 2016.